11 de fev de 2017

O CAVALO, O CURIÓ E A CASA

É sempre uma experiência singular ir cortar o cabelo no Barbeiro.


Inclusive o nome Chefe Hurucai foi o apelido carinhoso que recebeu o Barbeiro que cuidava da vasta careca do Bezerro de Pedra e gostava de dizer logo na chegada: "Vamô dá uma picotada" e ainda afirmava que o problema do Brasil era a falta de escolas, já que as escolas que temos "foram construídas nos tempos da revolução"...


Estes tempos fui cortar cabelo naqueles salões tradicionais, cadeira de ferro, latas azuis de Karina Hair Spray¹, emblema do clube do coração na parede (neste caso o eterno Vice da Gama), fotos de gente famosa (os próprios amigos) e uma pilha de cartões afixados em um mural. 

Toda vez que vou no Barbeiro e decido por fazer a barba na navalha, que já não é mais navalha a anos, lembro da cena clássica do Henry Fonda no filme de Western "Meu nome é Ninguém", fica o link para a cena aqui: https://www.youtube.com/watch?v=rVaq2kAlSLY
Depois desta cena, você vai pensar duas vezes antes de fazer a barba.

Mas enfim, o que gostaria de relatar foi o encontro que tive com mais uma figura mítica (da estirpe do Pedrinho do Maricá) intitulada Comandante Tucunaré. 

Chegando no estabelecimento, já de cara, antes de poder dar boa tarde, já se escutava as bravatas proferidas pelo Comandante. Com a minha presença, talvez pelo arco e flecha que levava nas costas, ele resolveu iniciar um novo capítulo, ou melhor, uma aula de comercialização de produtos.

O diálogo transcrito abaixo, é integralmente do Comandante Tucunaré, já que ele mesmo perguntava e respondia, nos cabia como alunos apenas escutar.

Eu sou do tempo que lancha era 'voadora', nós falávamos 'voadora' mesmo. E eu fui subindo o rio, e cheguei na casa do meu patrão o Sinhô Francisco, e ele muito queria comprá um curió de um caboclo.

Ele me disse - Comandante eu já fui lá no caboclo e ele não quis me vender, ofereci cem mil em dinheiro no curió e não tem jeito ele diz que não vende o curió.

- Dotô ele não vende, mas ele troca! Você vê, eu sempre digo: Não vende, mas troca, tô certo?
Ai eu resolvi ir la no caboclo, tinha uma curva grande na estrada que 'drobrava', eu falava era 'drobá' naquele tempo. E o Caboclo tava lá. Fui eu e o Dotô.

Cheguei lá e falei pro Caboclo, que eu tinha ficado sabendo do Curió, e que eu queria comprar ele.
- Olha, já falei pro Dotô, que eu não vendo o meu Curió por dinheiro nenhum.

O Dotô ficou meio longe e quieto, com os braços cruzados só escutando, gente estudada é diferente da gente, não fala 'drobá'.

Aí eu disse pra ele, mas eu não quero compra desse jeito, eu quero de outro jeito. Você tem jegue?
- Não!
- Ao menos tem um jumentinho?
- Não!
- E um cavalinho?
- Quem me dera!
- Pois é, o que eu queria mesmo era trocar o Curió em um Cavalo!
- Quem ia querer trocar um cavalo em um Curió?
- Não é um cavalo, é um Mangalarga!
- Mais difícil ainda!
- E tem menos de 2 anos de idade!
(Única interpelação que ocorre durante a aula, o Barbeiro disse: "E quem é que sabe a idade de cavalo!")

- Não acredito!

- Caboclo, se for assim você troca?

- Oxi, troco na hora!
- Tá bom então.

Sai e fui junto do Dotô, e ele disse: - Mas é um Mangalarga de até 2 anos de idade, um cavalo desse vale uns 300 mil, e ponderou é mas um Curió desses na cidade vale uns 500 mil.
O Caboclo sabia que os cavalos do Dotô eram bom, tudo importado, parece até que eram russo.

Ai o Dotô concluiu: - é o jeito, tu já fez o negócio, diz pra ele que eu troco o cavalo no Curió.


É o que sempre digo, não vende, mas troca!



Agora o Caboclo ficou com um Cavalo de 300 mil, se chegar um cara da cidade e dizer: "Eu compro este teu cavalo", ele não vai vender.


Não vende, mas troca! Vocês tão me entendendo?


Chega o cara da cidade que tem uma casa de 100 mil, e diz que quer trocar o Cavalo por uma casa na cidade, o Caboclo vai trocar. Se a mulher tiver junto e escutar, aí então que tá fechado o negócio.

É o que eu sempre digo, não venda, mas troca.

Nessa altura, já tinha terminado meu corte de cabelo, paguei, coloquei o arco e flecha nas costas e deixei o Comandante seguir as suas histórias para os outros fregueses.

¹ No tempo em que se tolerava um pouco mais o consumo de cigarro, meu avô, que Deus o tenha, fumava enquanto cortava o cabelo e usava a tampa deste Spray como cinzeiro. O Pedrinho, Barbeiro que nos atende nas Sesmarias Serranas, sempre faz questão de pegar uma tampa e me mostrar a forma característica com que ele segurava a tampa/cinzeiro enquanto fumava e tinha o cabelo cortado.

24 de abr de 2016

COISAS QUE NÃO ENSINAM NA UNIVERSIDADE - Parte V

Uma das coisas que acabam ocorrendo na vida do Engenheiro Florestal 'Pé na Lama' é acabar tendo em suas mãos um caminhão atolado.

Seja o caminhão indo fazer um frete ou mesmo o caminhão saindo carregado de madeira da floresta, isso é um assunto recorrente. Se você é estudante de graduação e quiser vivenciar a experiência virtual de atolar e desatolar caminhões recomendamos a aquisição do jogo SPINTIRES, encontra-se disponível na Steam (http://store.steampowered.com/app/263280/), e é uma experiência cativante de boleia virtual.

Parece que desatolar uma máquina é apenas uma questão de força, mas nem sempre isso resolve, e deve-se saber posicionar toda  a força (Tratores) para retirar o caminhão atolado. Ou você poderá repetir as palavras do poeta "Torou o trator no meio". Confira no link o belo acontecido:
https://www.youtube.com/watch?v=pbGQLe02d2M

Com toda certeza isso faz parte do cotidiano, e mesmo em locais aonde as estradas são boas, sempre existem ocorrências, e épocas do ano em que chove muito, bem como a necessidade de tirar a madeira daqueles fundões de campo.

CHEFE HURUCAI CONHECE LIGEIRINHO

Vou contar aqui um dos acontecimentos mais significativos, quando Chefe Hurucai conheceu Ligeirinho, o caminhoneiro que achou que passaria o fim de semana na Ilha do Amor.

Era uma noite de terça-feira, quando já estávamos tomando um suco de groselha e o rádio soa, chamando que um caminhoneiro chega na empresa. Chefe Hurucai desce e encontra Sr. João que apresenta a NF de 40 toneladas de adubo, ao conferir a NF já percebe que a carga enviada estava errada e não era a comprada (esse seria o menor dos problemas), e Sr. João fala: Olha o nosso companheiro Ligeirinho do outro caminhão, pegou uma informação errada no Posto Fiscal e entrou em outra fazenda com 40 toneladas de adubo (que também estava errado) e acabou atolando lá e o trator da fazenda não deu conta de puxar ele ('Tratorzinho' de 160 CV). 

Olhei pra ele e disse, bom agora já tá tarde não tem nem como nós irmos puxar este caminhão agora, mas amanhã cedo vamos lá ajudar o Ligeirinho.

Chegamos no outro dia, com cabo de aço, cintas e o escambau, e mais dois tratores de 180 CV, a primeira coisa foi comunicar que a ideia dele de descarregar a carga e ir para a Ilha do Amor passar o fim de semana estava fora de cogitação e que teria de voltar 2.500 km com a carga para a fábrica, mas a boa notícia e que daríamos um jeito de desatolar o Iveco Stralis Rodo Trem.

A primeira coisa que o nosso amigo Ligeirinho falou foi: "Este caminhão é dramático", traduzindo ele queria dizer que era Hidramático. E ele fez um 'L' com a carga, organizamos os dois tratores BH 180 e pelejamos, com bloqueio de diferencia e tudo que tinha direito, cavocou o pátio e o caminhão nem mexeu do lugar. Após várias tentativas frustradas, resolvemos separar as partes de trás para diminuir o peso, e após uma luta para conseguir separar, voltamos a puxar e quando parece que ia sair arrebentou o engate de ferro fundido do caminhão. Fomos para a cidade em busca de outro engate (o que quebrou guardo de recordação na minha sala como peso de papel), achamos e retornamos, e mais peleja do dois BH 180 e nada. Ai por fim adicionamos o outro tratorzinho de 160 CV e só assim conseguimos puxar e tirar o caminhão do Ligeirinho por volta das 12:00 horas (começamos 6:45).

Uma das cenas mais clássicas aconteceu logo antes de retirarmos o caminhão, quando o nosso amigo Águia Negra falou para Ligeirinho: "Olha, não tem jeito de tirar mesmo, vamos ter que deixar aí o caminhão". Os olhos do Ligeirinho se encheram de lágrimas e não chorou de verdade por pouco. Já bastava pra ele o patrão que ligava perguntando o que ele fazia no meio do nada com o caminhão parado!

No fim, um engate arrebentado, um pátio todo escavacado, semi-lágrimas do caminhoneiro e o cancelamento de sua ida para a Ilha do Amor, todos foram recompensados com um churrasco na Churrascaria, afinal foram 5 horas de peleja.

CHEFE HURUCAI E AS ATOLADAS DE BARRIGA DE URSO

Teve um período que quase todo dia tínhamos que ajudar o caminhão do Barriga de Urso sair carregado, quando não era uma carga que ele derrubou na estrada, era que tinha saído do trilho, ou era que a madeira estava molhada e pesada, mas enfim sempre tinha algo.

Vide as fotos.



 



17 de dez de 2014

JALAPÃO - MARIMBONDO CHAPÉU, O RASTRO DA ONÇA E O GUARANÁ DE 1 LITRO

A viagem até o Jalapão teria sido apenas passeio, se não tivessem apresentado uma espécie de Marimbondo  muito conhecido dos habitantes da região, mas praticamente desconhecida no restante do país.

É o famoso Marimbondo Chapéu, que leva este nome devido a forma de chapéu que sua casa apresenta. Algumas pessoas também chamam de Marimbondo Astronauta ou Marimbondo Alienígena devido a forma de disco voador de sua casa.

Nas fotos abaixo podemos ver o formato peculiar de seu habitáculo bem como toda a galera reunida para sair na foto do 'Selfie Hurucai'. As fotos já foram enviadas para a Sociedade Anônima dos Observadores Anônimos de Marimbondos que deve incluir em breve estas fotos em sua base de dados.





Após muita andanças pelo Jalapão quando íamos chegando as famosas Dunas do Jalapão, de longe pudemos observar o rastro de um animal que havia descido pelas dunas, e quando chegamos ao pé das dunas, pudemos constatar que era nada mais nada menos que uma onça! Ela havia deixado a sua impressão digital de forma clara, como vocês podem ver nas fotos. Segundo as explicações do nosso super guia a onça normalmente não deixa marca da unha no seu caminhar. Pelo tamanho da pegada sabemos que ela não tinha um grande porte, mas estava ali na vizinhanças já que o rastro não era muito antigo.


Também após a lembrança do Imperador faltou citarmos o excelente almoço no último dia, em Buritirana (distrito de Palmas), aonde comemos à vontade uma comida caseira de alta qualidade. Bife acebolado, frango, carne com mandioca, feijão e arroz, ovos caipiras fritos e salada, tudo isso por módicos R$ 20,00 por cabeça, com direito a tomar um  Guaraná Antártica retornável de 1 litro trincando de gelado (nem sabíamos que existia isso ainda).
Na hora não tiramos uma foto do local, mas após uma pesquisa no Google Street View encontramos uma foto um pouco desatualizada (2011) do local do almoço, e o nome nem tinha me dado conta que era tão bacana Budegão do Sertão!! Mas não tem erro, segue sendo ao lado do Açougue.







15 de dez de 2014

TURISTA - JALAPÃO - SEJA BEM VINDO

Voltando os passeios pelo norte do Brasil, Chefe Hurucai resolve visitar o famoso 'deserto' do Jalapão. Aqui cabe o primeiro esclarecimento, o Jalapão não é um deserto, pelo contrário está bem longe disso já que a água abunda em rios e cachoeiras com destaque especial para os fervedouros (água cristalina que brota das areias claras). Quando se fala em deserto do Jalapão se refere principalmente a densidade populacional que é muito baixa, por volta de 1.3 habitantes por km².

Procurarei neste artigo ser um incentivador de que caras normais, peguem seu carro e se 'aventurem' neste local ímpar do território brasileiro. Muito se lê na internet de que o acesso é muito complicado, você fala em Jalapão e as pessoas olham pra ti e dizem 'só com 4 x 4', e acho que tudo isso é um pouco de exagero. Obviamente que não peguei meu Porsche Carrera para ir até lá, mas o que quero dizer que um carro alto como o Uno, Poeira (vulgo Duster) sobrevive na ligação entre Ponte Alta do Tocantins x Mateiros, e encontrará alguma limitação para algumas atrações. O carro que utilizamos na nossa trip foi uma caminhonete Hilux SR 4 x 4 (2010). Em todo o percurso utilizamos a tração 4 x 4 apenas uma vez durante todo o percurso (atrações e viagem) e ai foi com direito a reduzida, mas tudo isso porque fomos encostar lá no pé da cachoeira, se tivéssemos feito uma caminhada de 150 metros teríamos chego de todas as formas na cachoeira, foi uma das formas de dizer 'é realmente precisamos usar a tração da caminhonete' fora isso foi só andando em 4 x 2.
Deve-se atentar que nossa viagem ocorreu no início deste mês de dezembro aonde já ocorreu chuvas na região, o que acaba sendo benéfico nas areias que ficam menos fofas e afundam menos. É claro que não me responsabilizo pelo cara que meter um Uno na época mais seca (areias fofas) ou na época mais chuvosa (algum atolador) e ficar no prego lá no meio do Jalapão, é preciso ter bom senso. Também é oportuno que o Sr. Motora tenha conhecimento dos procedimentos de guiar em estrada de chão e com areia, tem jeito de colocar o carro em enrascada mesmo com 4 x 4 se não souber o que se está fazendo.
Os desafios em geral são algumas partes com bastante areia e outras partes aonde há pedras pontiagudas no caminho, se conseguir um guia bom ele vai te comunicar de todos os perigos que você encontrará pela frente.
Sobre o carro ainda é extremamente recomendável que esteja com pneus em bom estado e que o carro esteja bem revisado para evitar alguma quebra. Os pneus no meu caso já estavam com 40.000 km rodados e com condição de rodar de 20 a 25.000 km e são da marca Michelin modelo LTX A/T².
Para aqueles que não forem fominhas por direção ou não tiverem um carro alto, pode alugar uma caminhonete nas Pousadas em Ponte Alta do Tocantins (a maior parte pelo que percebi modelo Mitsubishi L200) inclusive com guia que conduz o carro durante todo o percurso.




INÍCIO (PALMAS - PONTE ALTA DO TOCANTINS)
A jornada do Chefe Hurucai começou 650 km antes de Palmas principiando do norte do Tocantins (Bico do Papagaio), já o nosso companheiro de viagem Imperador Palpatine chegou a Palmas de avião vindo das terras Macuxi. Nos encontramos em Palmas e após um breve briefing de viagem rasgamos de Palmas para Ponte Alta do Tocantins e na ida fizemos o caminho via Porto Nacional (o que gera uma maior distância). É um caminho legal de se fazer, pois, você vai subindo a serra sinuosa e com um cenário que simplesmente vai se alterando, vale a pena fazer sem pressa curtindo a paisagem. Por este caminho a distância é de aproximadamente 200 km.
Uma vez chegando em Ponte Alta - portal do Jalapão, nos hospedamos na Pousada Planalto e lá fomos muito bem atendidos pela D. Lázara.

Frente da Pousada Planalto na cidade de Ponte Alta do Tocantins.


A Dona Lázara também nos apresentou o guia Cristiano para seguirmos para Mateiros e atrações. Conhecemos o guia que nos tranquilizou quanto ao caminho, já que eu estava bem preocupado em meter a caminhonete em alguma encrenca (me baseava muito no que estava escrito na Internet) e ele disse que era de boa e apenas perguntou se eu já tinha experiência dirigindo em estrada de chão. Após enumerar as minhas aventuras no Rally Buriti-Dakar e as idas na vicinal do Itã ele disse que eu estava apto a conduzir o carro no trajeto. Também nos lembrou que no outro dia passaríamos o dia inteiro percorrendo diversas atrações e que por tanto deveríamos comprar um lanche leve para fazer no meio do caminho como almoço. Por sorte eu resolvi perguntar o que ele considerava leve, pois, já estava pensando em comprar uma costela inteira para assar e uma grade de cerveja, para minha surpresa comida leve é constituída de frutas e biscoito água e sal.
Após fazermos o nosso pequeno rancho para o dia seguinte, fomos até um restaurante próximo a ponte que batiza a cidade e comemos carne de sol com mandioca acompanhada de ampolas do diurético bem geladas.


Ponte que dá nome a cidade de Ponte Alta do Tocantins.

PRIMEIRO DIA (PONTE ALTA DO TOCANTINS - MATEIROS)
Para aqueles que querem conhecer o Jalapão o dia começa cedo, e 6:00 horas da manhã já estávamos a todo vapor arrumando as tralhas para tomar café da manhã na Pousada, e as 7:00 horas partimos na missão de conhecer o Jalapão. Aqui vão os locais que conhecemos neste dia.
1. Cânion do Sussuapara
É um local muito bacana, na descida você vai perceber que as raízes formam uma escadaria que conduz até a parte de baixo do cânion, e lá dentro sempre tem um pouco de água. Existe um costume de pegar um pedra, colocar nas laterais e fazer um pedido.


Cânion do Sussuapara

Cânion do Sussuapara

Cânion do Sussuapara e a água que caindo como uma garoa.



2. Cachoeira do Lajeado
Sinceramente foi um dos locais que mais nos chamou a atenção, primeiro porque a cachoeira tem toda a engenharia para o cara fazer um churrasco e tomar um diurético, e segundo que lá embaixo tem uma espécie de lagoa cristalina que é convidativa para um banho. Infelizmente não tem um acesso definido para se chegar até lá embaixo. Sugerimos que se descubra uma trilha para aproveitar melhor esta belíssima cachoeira.

Aspecto da queda da Cachoeira do Lajeado.

Lagoa cristalina no fundo da Cachoeira do Lajeado.

Aspecto da cachoeira do Lajeado.


3. Cachoeira da Velha no Rio Novo
É bem dizendo o símbolo do Jalapão a estrutura de acesso até a cachoeira é excelente (por uma passarela suspensa). Se chama de cachoeira da velha devido ao fantasma de uma velha que vivia antes nas redondezas da cachoeira, o que acabou batizando esta cachoeira.

Cachoeira da Velha

Cachoeira da Velha


4. Prainha do Rio Novo
Quando nos comunicaram que era na prainha que podíamos dar um mergulho esquecemos de fotografar o local e apenas fomos dar um mergulho e recarregar as baterias. Após um banho revigorante em águas ligeiramente mornas fizemos um lanche para seguirmos o trajeto.


5. Dunas
As dunas é algo mais para ser curtido do que para ser narrado, a coloração ainda que aproximada nas fotos varia conforme a disponibilidade de luz, e segundo o guia ainda demos o azar de não termos um excelente por do sol. Das dunas você pode observar o Jalapinha, a Serra Negra e mais de perto a Serra do Espírito Santo e o Dedo de Deus. Ficar diversos minutos sem escutar qualquer barulho de civilização, apenas o vento soprando nas areias é algo muito bacana. Como a densidade populacional é muito pequena você pode se encontrar sozinho e escutar a sua voz interna.
Ao fundo Serra do Espírito Santo e mais no centro da foto o Dedo de Deus.

Desenho formado pelo vento nas areias das dunas.

Chegando nas dunas
Paisagem vista das dunas.









6. Serra do Espírito Santo
Ainda que nesta nossa viagem não destinamos tempo a subir a Serra do Espírito Santo, fomos até o início da trilha para conhecer.

Da esquerda para a direita, Serra Negra, Serra do Espírito Santo e o Dedo de Deus.


Após toda estes pontos turísticos chegamos no fim de tarde em Mateiros (250 - 280 km rodados) e lá nos hospedamos na Pousada Panela de Ferro. Vale ressaltar que o quarto está mais para o quarto de um hotel do que o de uma Pousada. Já fiquei em hotéis bem mais mequetrefes que as Pousadas da viagem.

Entrada da Pousada Panela de Ferro na cidade de Mateiros.


Após um banho, resolvemos dar uma caminhada na cidade, primeiramente jantamos na Dona Rosa, uma comida bem caseira e bem gostosa e depois fomos até um bar da cidade aonde fizemos algumas amizades e tomamos algumas ampolas do diurético para reidratar o corpo. Ponto alto que tinha Stella Artois e Heineken no reportório do bar, ou seja, não estávamos tão isolados. Também tinha um espetinho para aperetivar junto com o diurético.


SEGUNDO DIA (MATEIROS - PONTE ALTA)
Acabamos optando por fazer os outros pontos turísticos e dormir em Ponte Alta para facilitar a viagem do outro dia, já que o nosso amigo Imperador tinha o voo de volta marcado em Palmas.
Neste dia visitamos.

7. Fervedouro do Ceiça
É até difícil explicar o que é um fervedouro, mas de uma maneira simplista é água brotando da terra com muita pressão que impede que o corpo afunde, ou seja, você está no meio de um buraco (você vê que não tem fundo) sente a areia fina, mas não afunda de jeito nenhum. Você se sente leve, e é algo realmente diferente, só entrando para entender.


Fervedouro do Ceiça


8. Povoado Mumbuca
É o berço do Capim Dourado, os moradores em sua maioria são descendentes de escravos. Lá você vai apreciar o artesanato do Capim Dourado e conhecer esta comunidade. Acabamos comprando um cd com músicas locais feito com viola caipira, vale a pena para conhecer algo diferente.


9. Cachoeira do Formiga
A Cachoeira do Formiga é uma pequena queda d'água que tem uma coloração azul e esverdeada, não é muito profunda e você pode tomar uma verdadeira massagem natural na queda.

Cachoeira do Formiga

A belíssima cachoeira do Formiga e seus tons azul esverdeados.


Neste dia almoçamos no meio da tarde novamente na Dona Rosa, aonde pedi para tirar uma foto aonde mostra o simples fogão a lenha e no fundo a marca das mais diversas expedições que passaram ali matando a fome nas suas panelas.

Comida no fogão a lenha da Dona Rosa.



Após o almoço retornamos para Ponte Alta do Tocantins onde novamente ficamos na Pousada Planalto e jantamos novamente próximo a ponte que dá nome a cidade, este dia já na Coca-Cola.


ÚLTIMO DIA (PONTE ALTA - PALMAS)

Como o nosso amigo Imperador tinha voo marcado para as 17:00 horas decidimos percorrer algumas atrações próximas a Ponte Alta durante o período da manhã (por volta de 200 km rodados de chão) e visitamos.

10. Cachoeira da Fumaça



11. Cachoeira do Soninho
As fotos não mostram direito, mas esta cachoeira está como que a água abriu a rocha (uma espécie de cânion) e como é um estreitamento a água sai depois com muito mais força.


Andorinhas penduradas quase que como morcegos na Cachoeira do Soninho.


12. Pedra furada
A pedra furada é um pouco distinta das outras pedras furadas que já vi, pois, neste caso ela tem mais de um furo, a rocha é meio calcária e é bem afetada pelos ventos.




Voltamos para a Pousada Planalto aonde nos despedimos do guia e seguimos viagem para Palmas, na volta escolhemos o caminho por Santa Tereza do Tocantins (aproximadamente 150 km) que é mais próximo que por Porto Nacional e a estrada em melhores condições. Apenas salientamos que é necessário muito cuidado na Serra já próximo de Palmas, não exatamente pelas curvas mas porque a pista é em declive realmente acentuado, me deu a sensação que foi a inclinação mais acentuada que já vi em uma rodovia.
Por fim chegamos no aeroporto de Palmas e me despedi do meu grande amigo Imperador e ele seguiu seu caminho rumo as terras Macuxi e eu rumo ao Bico do Papagaio.

Mochilas e malas no carro.

Ao final de toda esta viagem devo salientar que antes de você se meter no Jalapão é fundamental, escolher muito bem as companhias já que você vai passar horas e horas do dia dentro de um carro (indo de uma atração para outra), não recomendo levar aquele amigo que você não vai muito com a cara, ou algum parente com quem você não tem muita afinidade. As histórias contadas durante a viagem são protegidas pelo termo de confidencialidade turista-guia. Por fim indico os serviços do Cristiano como Guia, ele é muito atencioso, realmente conhece todo o trecho, sempre dava dicas da pista ou avisava em algum ponto mais crítico para tomar cuidado.

O Jalapão é algo único, seja pela sua beleza ímpar, pelo seu silêncio, ou por ser um canto ainda pouco explorado.

PREÇOS (Referência 05/12/2014)

Diesel Comum - Ponte Alta do Tocantins - Posto Visão - R$ 2,64
Diesel S10 - Mateiros - Posto Barretão - R$ 3,30

Gasolina comum - Ponte Alta do Tocantins - Posto Visão - R$ 3,24
Gasolina Grid - Posto Barretão - R$ 4,00

Guia Cristiano (diária) - R$ 100,00

Refeições - Espetinho ou comida caseira -  R$ 20,00 - R$ 30,00

Pousada Planalto - R$ 130,00 (duas pessoas)

Pousada Panela de Ferro - R$ 155,00 (duas pessoas)

Atrações Fervedouros e Cachoeira do Formiga - R$ 10,00 a R$ 20,00

19 de set de 2014

PARCELAS CIRCULARES EM INVENTÁRIO FLORESTAL - É BOM NEGÓCIO?


            Este é um tema que tenho muito claro desde a época que cursei a disciplina de Inventário Florestal e é relativamente simples. Entretanto, é um dos tópicos que profissionalmente muitos não dão crédito ao nosso entendimento.
            Lembro-me de uma situação em particular em que existia um erro de inventário exorbitante, e todos buscavam diferentes tipos de soluções, e a inclusão de parcelas não resolvia as incertezas na estimativa deste Inventário Florestal. Observei a situação e apontei que grande parte do problema se devia ao uso indiscriminado das parcelas circulares. A resposta que tive foi: “Você é só estagiário, faz anos que eu trabalho com Inventário Florestal”. Na época eu tinha apenas a minha machadinha, um bocado de cálculos e ainda um desenho que provava o meu ponto, e todas as porcentagens de erro conforme o ponto central de instalação da parcela circular. Eles tinham apenas um argumento: “o perímetro da parcela circular é menor que o perímetro de uma parcela quadrada ou retangular com mesma área, assim sendo, o custo de medição é menor”.
            Minha discussão nem entra no componente custo, ela começa com a pergunta: é correto usar qualquer dimensão com parcela circular? E adicionalmente, é correto usar qualquer dimensão de parcela retangular ou quadrada? Se o seu trabalho é com floresta nativa, ou as árvores são distribuídas de forma aleatória você basicamente pode utilizar qualquer forma e área de parcela que desejar (lembrando sempre que unidades amostrais grandes são usualmente mais efetivas em representar a variação do que unidades menores, mas são mais caras para alocar e medir. Por outro lado, para uma dada fração de amostragem um grande número de unidades pequenas proporcionará uma estimativa mais precisa que poucas unidades grandes¹), por outro lado, se você trabalha com florestas regularmente espaçadas a conversa é outra.
Nestes casos as árvores não estão distribuídas aleatoriamente o que consiste em uma restrição de alocação destas parcelas e também ao seu tamanho.
 
            O que deve ficar claro (já neste ponto) é que uma parcela de inventário deve:
1.    Representar o espaço de crescimento das árvores dentro desta parcela;
2.    Estar bem alocada e representada.
O primeiro ponto é fundamental, e diz em outras palavras, que não se pode ter plantado 1.000 árvores por hectare e a sua parcela indicar que você tem 950 árvores ou 1.050 árvores, se de fato existem 1.000 árvores! Isso indica que o tamanho da parcela não está em consonância com o espaçamento adotado. Por incrível que pareça tem muita gente que faz inventário em diversos tipos de reflorestamento e sempre utiliza o mesmo tamanho/formato de parcela e nem considera o espaçamento envolvido, o dia que o espaçamento mudar ele poderá ter um problema.
            Na figura abaixo observamos da esquerda para a direita três parcelas com mesmo tamanho distribuídas em uma floresta regularmente espaçada e podemos observar que elas contém 4, 6 ou 9 árvores dependendo da posição dos limites em relação as linhas de plantio. Uma variação similar pode ser encontrada utilizando parcelas circulares. Quanto menor o tamanho da parcela maior o risco de viés (bias). Por esse motivo em plantios regularmente espaçados, o centro da parcela deve ser alocado aleatoriamente, prestando atenção para evitar o viés (bias) resultante da dimensão da parcela ser proporcional ao espaço das árvores. Às vezes é preferível alocar os limites como uma linha no centro entre as linhas e entrelinhas (parcela que está a direita), desta forma a área da parcela corresponde muito próximo ao espaço real de crescimento das árvores consideradas. A desvantagem deste último método é que as parcelas poderão variar em forma e área, e para determinar a área da parcela é mais complexa e necessita da medição dos quatro cantos e pelo menos uma diagonal, ou os quatro lados e incluindo os ângulos¹.


Extraído de: Michael S. Philip Measuring trees and forests, 1994, p. 189.

 
            O inventário florestal em última instância acaba sendo uma atividade puramente estatística, e assim sendo não podemos simplesmente esconder o efeito do viés (bias). A probabilidade total de um erro de mais do que 1.96σ, o viés tem pouco efeito, desde que seja inferior a um décimo do desvio padrão. Neste ponto a probabilidade total é 0.0511 ao invés dos 0.05 que pensamos ser. Com o viés aumentando ainda mais, o distúrbio começa a ser mais sério. Com o viés (B) sendo igual ao desvio padrão (σ), a probabilidade total de erro é 0.17, mais de três vezes o valor presumido. As duas caudas são afetadas diferentemente. Com um viés positivo, a probabilidade de uma subestimação por mais de 1.96σ encolhe rapidamente do presumido 0.025 para se tornar insignificante quando B = σ (viés igual ao desvio padrão). Como regra de trabalho, o efeito do viés da precisão de uma estimativa é insignificante se o viés é menos de um décimo do desvio padrão da estimativa². Na tabela abaixo apresentamos o efeito do viés/bias (B) na probabilidade de um erro maior do que 1.96σ.

 

B/σ
< -1.96σ
> 1.96σ
TOTAL
0.02
0.0238
0.0262
0.0500
0.04
0.0228
0.0274
0.0502
0.06
0.0217
0.0287
0.0504
0.08
0.0207
0.0301
0.0508
0.10
0.0197
0.0314
0.0511
0.20
0.0154
0.0392
0.0546
0.40
0.0091
0.0594
0.0685
0.60
0.0052
0.0869
0.0921
0.80
0.0029
0.1230
0.1259
1.00
0.0015
0.1685
0.1700
1.50
0.0003
0.3228
0.3231

Extraído de: William G. Cochran Wiley series in probability and mathematical statistics, 1977, p. 14.

 
            Voltando ao caso do inventário que citei no início, havia pontos em que estavam diminuindo devido à escolha errada da área da parcela em 13.4% o número de árvores e em outros aumentava em 5.1% o número de árvores, fazendo o cálculo do viés (B) dividido pelo desvio padrão (σ) obtive um valor próximo a 0.60, cuja probabilidade total de erro é de 0.0921 quase o dobro do 0.05 presumido. Parece-me óbvio que o problema de viés na alocação e tamanho das parcelas era o primeiro problema, poderia incluso existir outros, mas não adiantava nada aumentar o número de parcelas já que havia este viés. Com isso as equipes de colheita nunca conseguiam encontrar os volumes que o pessoal do inventário indicava que teria.
 
Após tantas voltas, afinal é bom negócio ou não?
Particularmente acredito que é melhor trabalhar com parcela retangular (em plantios regularmente espaçados) para tal a parcela tem que ser compatível com o espaçamento, os lados devem ser múltiplos do espaçamento. Se o plantio é 3 x 2, você pode fazer uma parcela de 600 m² com um 15 x 40 ou 30 x 20, ou seja, sempre tem que ser um divisão exata. No caso de um plantio com 3,3 x 2,5 você poderia usar uma parcela de 29,7 x 20,0 (594 m²) ou então 26,4 x 22,5 (594 m²) que seria o mais próximo de 600 m².
Considerando ainda o espaçamento de 3,3 x 2,5 você teria 72 plantas com um espaço vital de 8,25 m² que é igual a 594 plantas. Se você simplesmente colocasse os 600 m² você estaria com 6 m² sobrando que estão sendo ocupados por uma planta que não está na parcela.
Mas qual o problema disso, não posso usar sempre o mesmo tamanho de parcela?
O problema principal é que normalmente trabalhamos com medidas por hectare, este espaçamento de 3,3 x 2,5 tem um número aproximado de árvores por hectare de 1.212, se consideramos que temos 72 plantas em 600 m² (o que estaria errado) encontraríamos 1.200 árvores. Como nós estamos com área sobrando vamos gerar também uma diminuição do valor de área basal por hectare (G) e de volume por hectare (V), existem outras situações em que ocorre a elevação da área basal e do volume. E como vocês podem imaginar este erro para um talhão, para uma fazenda, ou para diversas fazendas só tende a se ampliar.
A maior argumentação que escuto ao expor estes pontos é de que os plantios florestais não são 100% alinhados (ou que não são tão perfeitos como os desenhos que eu posso fazer, ou que efetivamente pode ter alguma variação por plantio errado), e que por isso não faz importância isso já que um erro para mais é compensado para um erro para menos. Isso é uma má interpretação da estatística, já que os modelos estatísticos que utilizamos preveem erros amostrais (de uma maneira simples aquele que ocorre por não estarmos fazendo um censo), mas são muito sensíveis aos erros não amostrais que seria o caso de alocar mal a parcela, ou escolher uma área incompatível.
 
Como minimizar ao máximo os problemas?
 
A forma de minimizar ao máximo os problemas acaba sendo a alocação dos limites no meio das linhas e entrelinhas, o que gera todas as desvantagens citadas mais o adicional de ‘medo’ por trabalhar com parcelas de áreas diferentes.
É importante ainda salientar que as perturbações maiores são observadas em todas as medidas cumulativas, número de árvores (N), área basal (G) e volume (V) e pouco percebido ou quase insignificante nas medidas médias como o diâmetro (d) e a altura (h).
 
E posso usar a parcela circular?
 
A parcela circular desde que observado tudo que já foi comentado aqui apresenta boas vantagens quando utilizada na floresta nativa, e o pior uso (que eu considero) é como parcela permanente nos sistemas de alto fuste sem desbaste e medições anuais. É uma boa saída quando é instalada no sistema de alto fuste com desbastes seletivos (principalmente depois de 2 desbastes), pois, as árvores já estão dispostas de forma aleatória. No caso de desbastes sistemáticos deve-se ter o cuidado que a parcela escolhida vai conseguir captar a intervenção realizada.
            Para finalizar a parcela circular pode ser um bom negócio, assim como a parcela retangular, e o mais importante é não se fixar apenas em uma forma de parcela, com uma determinada área. Como engenheiro nos compete o ofício de engenhar, e não o de achar que a retangular de 600 m² ou a circular com raio de 11,9638 m vão resolver todos os nossos problemas.

Fontes:
¹ Michael S. Philip Measuring trees and forests, 1994.
² William G. Cochran Wiley series in probability and mathematical statistics, 1977